Ação do tempo…

Desde criança adorava fotografar, mesmo sem saber muito sobre técnicas, mas ficava fascinado com a possibilidade de eternizar um momento, um olhar que com certeza não traria só a imagem quando fosse revisto, traria a situação.

Acho que posso dizer que meu primeiro ensaio fotografado foi em 1986 com uma câmera Kodak Sport Câmera, que usava filme 110mm e a modelo foi minha irmã na época com 14 anos, e eu com apenas 10 anos. Claro que foi uma brincadeira, mas uma brincadeira que teve todo cuidado com produção e me lembro bem de já naquela época insistir para que não usássemos flash e colocássemos a luz do quarto dela e mais abajures. Bons tempos.

No início dos anos 90 fiz minha primeira cobertura jornalística foi feita com uma Olympus QuickFlash 35mm emprestada pelo meu pai, claro que isso também é uma brincadeira para valorizar os domingos que ia ao autódromo de Interlagos fotografar campeonatos de Marcas e Pilotos (Turismo), Speed (Fusca) e Stock
Car (ainda peguei um pouco dos Opalas). Como conhecia o locutor do autódromo conseguia credenciais para box e paddock, e ficava inventando e copiando ângulos vistos em revistas automobilísticas.

Com base nessas primeiras experiências eu costumo afirmar que as minhas grandes influências vieram de revistas e filmes, outra coisa que sempre gostei muito e sempre presto muita atenção a cada cena como se cada uma fosse uma foto diferente. Aqui vale agradecer a Stanley Kubrick, Oliver Stone, Ridley Scott e outros tantos diretores que tem esse cuidado especial na fotografia de cinema.

Em 1990 fui trabalhar como office-boy no estúdio fotográfico do Marcos Lopes e José Morgade, o que me deu um pouco da visão do trabalho em estúdio com a produção e cuidados necessários a cada imagem. Como já tinha este interesse pelas fotos, vez ou outra ia buscar os índex nos laboratórios, e cuidadosamente abria os envelopes para ver as fotos durante o trajeto do ônibus. Conversava muito com o assistente do Marcos que era o Roger, um fotógrafo gaúcho que já tinha viajado para diversos lugares e fazia fotos artísticas que com certeza também me influenciaram muito.

Em 1999 entrei no curso de arquitetura e urbanismo da
faculdade Anhembi Morumbi, e uma das matérias era ministrada pelos professores Carlos Frucci e Jorge Bassani, ambos fotógrafos que davam aula de… Fotografia. Ambos estimulavam a produção de trabalhos fotográficos voltados à arquitetura, mas inicialmente estimulavam o treino do olhar no campus da faculdade, onde após fotografarmos, revelávamos os filmes no laboratório da própria instituição. Nessa época utilizava uma SLR Zenit-B emprestada do irmão de minha madrasta, já que não tinha minha própria câmera. Fizemos fotos do centro de São Paulo para um projeto de reurbanização da região da Luz.

Uma artista plástica amiga minha, a Fátima Miranda comparou ambas as fotos com o estilo de Cristiano Mascaro, que até então eu não conhecia e passei a acompanhar o trabalho. Estas fotos foram feitas com filme PB rebobinado, só quem é da época sabe como eram caros os filmes PB novos e ainda a revelação dos mesmos. Lembro que para este trabalho que não revelamos no laboratório da faculdade, o grupo desembolsou entre filme e revelação algo em torno de R$ 150,00. Recebi convite para mostrar as fotos em galerias, e acabei não indo porque tinha a ideia de que a fotografia seria só um hobby do futuro arquiteto. Larguei a faculdade de arquitetura e fui estudar engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações, já que estava trabalhando em uma empresa da área e queria um futuro “próspero”. Parei a faculdade seis meses depois e até tentei voltar para arquitetura, mas desanimei.

Em meados de 2001 meu primo que morava no Japão retornou ao Brasil com uma Minolta Alpha 101si de presente. Ele havia comprado em uma feira de câmeras usadas que ocorre todos os anos no Japão. Tinha em mãos minha primeira SLR. Com ela brinquei muito, e brincadeiras que me renderam duas exposições a convite de um grupo chamado Viagens Urbanas. Ambas exposições ocorreram em duas baladas de São Paulo, a primeira no From Hell (2006 em Santo André, já fechada) e a segunda no Suzie em Transe (2007, que continua funcionando em local diferente da exposição). Como a grana era curta e não tinha como ampliar as fotos fui obrigado a usar a criatividade e os recursos que tinha à mão. Tinha folhas de papel jornal A4 em casa e a máquina de Xerox da empresa onde trabalhava, assim, nos momentos que não havia ninguém no departamento fazia cópias ampliadas das fotos em papel jornal para expor como lambe-lambe mesclando fotos tiradas em 1999 com a Zenit e as mais atuais com a Minolta.

Em 2008 a Minolta morreu, e o conserto seria inviável levando em conta o gasto que teria posteriormente com bateria, filme e revelação; com o pouco tempo que tinha para fotografar deixei de lado as câmeras, e assim comecei a fotografar com celulares, passando pelo ótimo Sony Ericsson K750 e sua câmera de 2mp com lentes Carl Zeiss, regredindo para um Motorola V360 com câmera VGA e voltando para as lentes Carl Zeiss no Nokia 6500.

Agora a coisa começa a ficar mais séria…

O ano é 2010 e um grande amigo resolve se desfazer de sua Nikon D50 por um preço irrecusável de um pacote que incluía lentes 28-80m f:3.3-5.6, 70-300m f:4-5.6 e mais uma macro, cartão de 2Gb (é o maior cartão suportado pela câmera), carregador e vinha inclusive com manual. Era minha chance de entrar para o mundo das DSLRs!

Claro que comprei!

Era agosto e em setembro conversando com um outro grande amigo que é um dos proprietários do http://www.cultflow.com me ofereci para fazer a cobertura fotográfica do show da banda New Model Army, ia unir o útil ao agradável já que curto demais a banda e ainda poderia fotografar. Nunca tinha fotografado um show, não fazia a menor ideia de como fazê-lo e corri no Google para pesquisar. Pesquisa feita e pela primeira vez teria fotos minhas publicadas sem nenhum tratamento na imagem. De lá para cá a parceria com o CultFlow rendeu diversas coberturas e ajudou muito na melhora da qualidade das fotos das coberturas e proporcionando registrar grandes nomes da música como Maria Rita, Capital Inicial, Kid Abelha, Leonardo, Zezé DiCamargo e Luciano, Stratovarius, Helloween e até Pearl Jam, chegando em 2013 a fotografar todas as atrações do festival de blues e jazz Bourbon Street Fest. Fora peças teatrais com atores consagrados como Herson Capri e Beatriz Segall, e outras como Retratos de Nelson e Nos Baais de grupos teatrais que acabavam de se formar, e mais recentemente 1915 e Expresso K, as quais além da cobertura contribui com as fotos de divulgação. Um dos ícones para mim foi fotografar o espetáculo Varekai do Cirque Du Soleil, onde munido da já ultrapassada D50 e uma lente 28-80m f/3.3-5.6 fui obrigado a mais uma vez usar a criatividade e deixar de lado a vontade de fazer zoom nos artistas e explorar o palco todo por causa da luz baixa, seria inviável usar a 70-300mm f:4-5.6.

Realizei meu primeiro ensaio autoral graças a grandes amigos, um me emprestou a locação, um galpão abandonado, e a outra foi a modelo, uma bailarina.

Fui obrigado a comprar uma lente 28-55 f/3.5-5.6 e um flash SB-600 para fazer fotos de arquitetura que seriam publicadas na revista KAZA para o escritório de arquitetura DeLucca em 2011, mas considero como o primeiro upgrade que fiz a compra de uma lente 50mm f/1.8 usada em dezembro do mesmo ano.

Tive que me adequar aos tempos modernos e me render à edição de fotos, porém utilizando somente o Lightroom para pequenos ajustes , e depois permitindo criar um pouco mais.

Em 2011 comprei um celular novo, um Nokia N8 para poder fotografar a todo momento sem precisar estar com uma câmera sempre à mão, e em 2012 adquiri uma Nikon D7000 e um flash SB-910 para dar um up de verdade no equipamento visando trabalhos maiores e melhores.

E continuei brincando nos lugares abandonados que tanto gosto e vejo tanta beleza pela ação do tempo, a mesma ação que me leva a cada dia ver coisas diferentes em cenários que todos nós passamos, assim como mostra o filme Koyannisqatsi.

Paralelo a tudo isso, trabalhei fazendo coberturas de festas e eventos, desde infantis, passando por casamentos e aniversários de 85 anos sempre mesclando as fotos “obrigatórias” nesses eventos, com o meu olhar particular treinado nesses 27 anos de fotografias, que não digo serem profissionais porque para mim fotografar sempre será um grande prazer que transformei em profissão.

Toda essa história e diversidade de imagens é uma forma de mostrar a todos que amam e pretendem levar a fotografia como hobby, ou como profissão que… Independente do equipamento é sim possível fotografar com o olhar, seja com celular e câmera VGA, seja com equipamentos de última geração, a fotografia está dentro de cada um, no coração, na alma, nos filmes e revistas que vemos, na internet e onde quer que seja, o equipamento será só uma forma de capturar o que só você vê.

Nikon D50 - Boituva 2012
Nikon D50 – Boituva 2012
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s